Absurdo
Absurdo é carregar o andor. matar a flor abençoada e abençoar a morta imagem. Enche-la de flores e causar dores no corpo de quem suporta a pesada carga. Mas toda a realidade é absurda. Há sempre nela um andor inútil, porém sagrado. Há sempre nela uma flor viva, naturalmente abençoada, arrancada da terra abundante para ser humilhada e consagrada às coisas inúteis. A pesada carga são castelos e palácios vazios onde ninguém habita apesar de tanta flor viva, sem jardim, que necessita. A pesada carga são túmulos gigantes e faraonicos que guardam esqueletos obsoletos, e as flores vivas e sagradas que carregaram as pedras tumulares nem são lembradas nem são choradas. Absurda a vida que é eterna para as coisas vazias, sem vida e sem alma onde pomos toda a esperança e damos toda a importância e efémera para nós os seres vivos, humildes flores atiradas aos pés da suprema miragem, a que exige uma inútil servidão, a vida plena, total, grande e não pequena. Autoria: Rosa Maria
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