Sou do fado, sou da morna
Sou do fado, sou da morna. Sou da longa estrada que se fez mar mas também do caminho de terra batida para lá chegar. Venho de longe como todos nós, só não tenho a pretensão de me fazer perto, a ignorar o longo passado que corre nas veias, as brincadeiras infantis no espaço aberto e largo das ruas, de todas as ruas, de todos os lugares. Por onde passamos trepamos as árvores para colher as mangas maduras, as frutas e frutos dos novos lugares, apoderarmo-nos do gosto estrangeiro delas, sem mesmo pedir autorização. A guiar-nos, a descoberta de novas delicias, por pomares nunca antes apetecidos. Alteramos o gosto desses novos paladares mesmo antes de os saborearmos, com a pressa que pomos em tudo, talvez porque um dia de nós tiveram pressa. Um longo caminho percorrido para provar do fruto desconhecido e o certificado que diz desvalidas. A ciência apressou-se e não deu espaço que se saboreasse os novos frutos das árvores trepadas, em todas as ruas, cheias do sabor a liberdade e no...