Diversidade

A diversidade dos passaros chega a pesar-me na alma eu que não sou passaro e pertenço a uma especie com poucas especies entre si, sinto o incomodo territorial das coisas apertadas, calo vozes, suprimo nomes, para que só uma voz permaneça, só um nome fique. Eramos tantas e tantas vozes num só povo, falas diversas que se perderam ao som da espada que corta, enquanto um passaro canta de espanto na funda floresta O passaro disputa o ramo, o alimento, a agua,  mas espalha na floresta a diversidade dos seus canticos, das suas penas, do seu voo. Homens e mulheres caminham na monotonia dos dias, cheios do silêncio do outro, das suas vozes caladas ao fio da espada, dos seus nomes desaparecidos na penumbra das batalhas sangrentas. Na monotonia dos passos iguais, das vozes identicas, no som das palavras quando chamam os filhos e ficou na penumbra dos avós esquecidos outras lembranças, outros nomes perdidos. Agora somos todos iguais, a desejar espaços, alimentos e agua. Tanto espaço, alimento, agua que ninguem deseja porque somos todos iguais a desejar, a disputar os mesmos espaços territoriais  

A diversidade dos passaros,

alegria das almas que cantam, chega a pesar-me na alma como um som que se repete 

De: Rosa Maria Levy Varela Benrós

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