Eden
em frente à casa havia um jardim. Todos os jardins são de um eden que se revela na alma. Os jardins de dia produzem risos, crianças felizes, flores bem regadas, bem ordenadas, animais soltos e amigáveis entre si, muito sol, sim porque só se vai aos jardins em dias de sol. À noite os jardins reflectem sombras de um outro mundo, de um eden mais misterioso e sombrio, até ouvimos, se estivermos atentos à imaginação que emerge nessa escuridão folhosa, de árvores imponentes em seus grossos troncos, a voz Divina que passeia vigilante e rodeia os bancos, onde namorados se deliciam a quebrar vergonhas, escondidas entre as mil folhas carregadas da sombra nocturna que parece proteger os amantes dos olhares indiscretos e curiosos. O Divino passa também como uma sombra que protege, que abençoa, que perfuma a noite naquele lugar de perfumes naturais, que se soltam, que se entregam, que se Divinizam quando põem ternura na noite, um ar sereno que nos transporta para o Eden esquecido na bruma dos tempos. Rosa Maria levy varela Benrós
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