Aquem marte

 A viagem já foi além  Marte e foi também aquém marte. Aquém Marte em Vénus a queimar. O calor infernal da Deusa, beleza forjada em ardente fornalha. Além Marte a desembarcar longe da estrela que nos rege, que da via láctea se fez rei, coroa dourada e ceptro fornalha, em seu corpo brilhante de luz, amarelo, dourado, vermelho sangue. Longe da via única que nos conduz, mas não a única que nos seduz, Marte ficou para trás como velho amigo, mas nunca de sua intimidade soubemos e de Vénus só o que inventamos em delírios de deuses e deusas da  perfeição, à nossa régia medida. Vénus permaneceu Deusa, inacessível,  longínqua e temerária. Queremos desvendar outra via, diferente desta que mal conhecemos, que de fugida a ela nos apresentamos. Outra via, outras elipses, outros Sois, outros planetas e outras leis,  universais, unas, contínuas, surdas e mudas aos nossos vãos apelos porque, como aqui na via láctea, só hão-de escutar a translúcida obscena voz da matemática, ainda que outra matemática que ainda teremos de aprender lado a lado com a escola das Deusas e Deuses perfeitos, que convivem lado a lado com a ciência para provar que são sublimes. Sem ordem caem as elipses, chocam os planetas e a estrela que os guia esmorece na realeza dos seus dias...                        Rosa Maria Benrós

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